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Vacinas contra o câncer avançam para fase de testes e colocam Brasil no centro de futuras pesquisas

Vacinas contra o câncer avançam para fase de testes e colocam Brasil no centro de futuras pesquisas

Pesquisas internacionais sobre vacinas contra o câncer chegaram a um estágio em que já existem candidatos prontos para testes em humanos, e o Brasil pode participar dessa nova etapa nos próximos anos. A avaliação é de cientistas da Universidade de Oxford, que estiveram no país discutindo parcerias em imunoterapia, inteligência artificial e ensaios clínicos durante [ ]

Pesquisas internacionais sobre vacinas contra o câncer chegaram a um estágio em que já existem candidatos prontos para testes em humanos, e o Brasil pode participar dessa nova etapa nos próximos anos. A avaliação é de cientistas da Universidade de Oxford, que estiveram no país discutindo parcerias em imunoterapia, inteligência artificial e ensaios clínicos durante evento realizado no A.C. Camargo Cancer Center.

Entre os projetos mais próximos de chegar a pacientes está uma vacina voltada a tumores relacionados ao vírus Epstein‑Barr (EBV), responsável por cerca de 200 mil casos de câncer por ano e presente em mais de 90% da população mundial. O imunizante concluiu a fase pré‑clínica e deve avançar para estudos clínicos, com interesse em incluí‑lo em regiões onde certos tumores são mais frequentes, incluindo o Norte do Brasil.

Avanço acelerado

Os pesquisadores destacam a velocidade inédita no desenvolvimento dessas vacinas. Em Oxford, projetos passaram do conceito à preparação para testes clínicos em cerca de três anos, impulsionados por tecnologias consolidadas, como as plataformas de mRNA utilizadas na pandemia de Covid‑19, somadas a novas estratégias destinadas a melhorar o reconhecimento de células tumorais pelo sistema imunológico.

Linhas de pesquisa em andamento

Oxford mantém múltiplos projetos simultâneos, entre eles:

  • LungVax: vacina contra câncer de pulmão prestes a iniciar testes clínicos.
  • Vacina contra o EBV: pré‑clínica concluída com previsão de estudos em humanos.
  • Vacina para síndrome de Lynch: abordagem preventiva para indivíduos com alto risco genético.
  • Outros candidatos: pesquisas voltadas a câncer de mama (incluindo BRCA1), ovário, trato gastrointestinal e mieloma.

As vacinas em desenvolvimento se dividem entre terapêuticas (para quem já tem câncer) e preventivas ou de interceptação (voltadas a pessoas com alto risco antes do surgimento da doença).

Inteligência artificial acelera o desenvolvimento

Modelos avançados de IA têm sido usados para selecionar quais alvos imunológicos devem compor as vacinas. Para isso, algoritmos são treinados com dados de dezenas de tipos de tumores, permitindo prever, com maior precisão, quais elementos podem gerar resposta imune mais eficiente, e até abrir caminho para vacinas personalizadas.

Brasil como potencial parceiro estratégico

Os pesquisadores consideram o Brasil um país estratégico para estudos clínicos e desenvolvimento tecnológico, especialmente pela diversidade populacional, existência de biobancos e estrutura crescente em centros de pesquisa. As propostas de colaboração incluem:

  • acesso a dados biológicos;
  • participação em ensaios clínicos;
  • desenvolvimento conjunto de plataformas de IA;
  • estratégias para garantir que futuras terapias tenham custo acessível para países de renda média.

Apesar do avanço, especialistas reforçam que as pesquisas ainda estão em estágios iniciais e precisam comprovar eficácia e segurança em humanos. A resposta às vacinas varia entre pacientes, e parte dos imunizantes em teste apresenta taxas menores de resposta imune, cenário que novas tecnologias podem melhorar nos próximos anos.

Como funcionam as vacinas contra o câncer

Diferentemente das vacinas tradicionais, que previnem infecções, as vacinas contra o câncer são projetadas para treinar o sistema imunológico a identificar células tumorais, que muitas vezes passam despercebidas pelas defesas do organismo. Elas apresentam fragmentos tumorais ou proteínas específicas ao sistema imune, estimulando principalmente linfócitos T a atacar essas células com maior precisão.

Nos tumores ligados a vírus, como os associados ao EBV, as vacinas podem incluir tanto proteínas virais quanto características próprias das células cancerígenas.

Com candidatos próximos da fase de testes em humanos e tecnologias como mRNA e IA acelerando o desenvolvimento, pesquisadores acreditam que as vacinas contra o câncer devem ganhar papel relevante nos próximos anos, tanto no tratamento quanto na prevenção de determinados tumores.

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