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Sessenta anos do Golpe de 1964: como Rondônia viveu esse capítulo da história

Sessenta anos do Golpe de 1964: como Rondônia viveu esse capítulo da história

O golpe civil-militar de 1964, que derrubou o presidente João Goulart, foi resultado de um movimento articulado meses antes, com forte reação das forças conservadoras. Em Rondônia, então Território Federal, a tensão política refletiu o cenário nacional. Após a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, João Goulart enfrentou resistência para assumir o governo, mas o [ ]

O golpe civil-militar de 1964, que derrubou o presidente João Goulart, foi resultado de um movimento articulado meses antes, com forte reação das forças conservadoras. Em Rondônia, então Território Federal, a tensão política refletiu o cenário nacional.

Após a renúncia de Jânio Quadros, em 1961, João Goulart enfrentou resistência para assumir o governo, mas o movimento da “Campanha pela Legalidade”, liderado por Leonel Brizola, garantiu sua posse. Anos depois, com as propostas de reformas de base, incluindo reforma agrária e controle de remessas de lucros —, Goulart foi alvo de oposição intensa, culminando no golpe de 31 de março de 1964.

Em Rondônia, a oligarquia local, derrotada nas eleições de 1962, apoiou ativamente a deposição do presidente. O jornal O Guaporé acusou lideranças locais, como o deputado Renato Medeiros, de serem “comunistas”, pedindo sua cassação.

Resistência em Porto Velho

Antes da queda de Goulart, atos públicos foram organizados em Porto Velho. No dia 27 de março de 1964, lideranças estudantis e sindicais reuniram-se no auditório da Escola Carmela Dutra em apoio ao governo. Uma greve geral, puxada pelos ferroviários da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, também mobilizou trabalhadores de outras categorias.

Na noite de 31 de março, ferroviários e estudantes transformaram a greve em vigília, aguardando notícias sobre a resistência ao golpe. Contudo, na madrugada seguinte, forças militares agiram: prisões começaram, incluindo o vice-prefeito Carmênio Barroso, posteriormente cassado.

Repressão e impactos locais

O golpe trouxe forte repressão em Porto Velho. Prisões noturnas, invasões de domicílios e perseguição a opositores marcaram o período. O prefeito Raphael Castiel e o deputado Renato Medeiros foram cassados. A sede da União Rondoniense dos Estudantes Secundaristas (URES), o Palacete Rio Madeira, foi ocupada pelas forças militares, uma ocupação que, simbolicamente, permanece até hoje.

A repressão também foi marcada pela arrogância dos interventores militares. O primeiro deles, capitão Anachreonte Coury Gomes, circulava armado pelas ruas; o segundo, tenente-coronel Cunha Menezes, desfilava montado a cavalo, reforçando o clima de intimidação.

Sessenta anos depois

O golpe deixou feridas abertas na história política e social de Rondônia. Atos de resistência, como os realizados em 2009 por ex-líderes estudantis, mostram que a memória do período segue viva. Apesar da distância no tempo, os ecos daquele período ainda reverberam na sociedade rondoniense.

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