Flor do Maracujá: a tradição que há mais de 40 anos transforma Porto Velho em um grande palco da cultura amazônica

Entre passos ensaiados com dedicação e o som marcante dos tambores, a 41ª edição do Arraial Flor do Maracujá já toma conta de Porto Velho. Realizado no Parque dos Tanques, o evento segue até o dia 10 de agosto reunindo grupos folclóricos, quadrilhas e bois-bumbás que encantam o público com espetáculos de dança, cores e [ ]
Entre passos ensaiados com dedicação e o som marcante dos tambores, a 41ª edição do Arraial Flor do Maracujá já toma conta de Porto Velho. Realizado no Parque dos Tanques, o evento segue até o dia 10 de agosto reunindo grupos folclóricos, quadrilhas e bois-bumbás que encantam o público com espetáculos de dança, cores e tradição.
Mas o que hoje é o maior arraial junino da Região Norte nasceu de forma bem mais simples.
De quadra escolar à grandiosidade
A história do Flor do Maracujá começou em 1983, idealizada por Maria de Nazaré, paraense que chegou a Rondônia decidida a valorizar as manifestações culturais amazônicas. Com apoio de escolas e comunidades locais, ela organizou os primeiros festivais folclóricos, ainda em quadras escolares.
A primeira edição do arraial foi realizada ao lado do Ginásio Cláudio Coutinho, em uma quadra de areia. Com apoio modesto e muita colaboração voluntária, surgiram barracas, iluminação improvisada e os primeiros grupos a se apresentarem.
A escolha do nome foi uma homenagem à primeira quadrilha registrada oficialmente em Porto Velho: Flor do Maracujá.
Um patrimônio cultural vivo
Desde então, o evento cresceu, virou tradição e foi reconhecido como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial de Rondônia. Com ele vieram as arquibancadas cheias, camarotes, som profissional, cobertura da imprensa e toda a estrutura que hoje comporta até 10 mil pessoas por noite.
O festival já passou por diversos locais da cidade e, desde 2015, voltou a acontecer no Parque dos Tanques. No entanto, ainda não conta com uma estrutura permanente, o que traz desafios para cada nova edição.
Muito além da dança: inclusão e identidade
Mais do que competição, o Flor do Maracujá representa inclusão social. Crianças e adolescentes só podem participar se estiverem matriculados na escola. Os ensaios começam meses antes, com foco na disciplina, criatividade e orgulho cultural.
A competição entre bois-bumbás e quadrilhas ganhou força na década de 1990 e, desde então, se tornou um espetáculo à parte, com torcidas organizadas, figurinos elaborados e coreografias cheias de teatralidade.
“É o povo que mantém viva essa tradição”, reforça Maria de Nazaré, emocionada ao ver a dimensão que o evento tomou.
Hoje, o Arraial é fruto da parceria entre governo estadual, prefeitura, patrocinadores e mais de 50 grupos folclóricos. Um verdadeiro símbolo da identidade rondoniense, que a cada ano conquista novos corações com sua alegria e resistência cultural.



