Cheia do Guaporé reduz área de desova e ameaça ciclo das tartarugas-da-Amazônia

A cheia histórica do Rio Guaporé, na divisa entre Rondônia e Bolívia, tem impactado diretamente o ciclo natural de desova das tartarugas-da-Amazônia, um dos espetáculos mais simbólicos da biodiversidade regional. Tradicionalmente, entre outubro e dezembro, as praias do Guaporé se transformam em verdadeiros berçários naturais, marcando o início do Projeto Quelônios do Guaporé, que protege [ ]
A cheia histórica do Rio Guaporé, na divisa entre Rondônia e Bolívia, tem impactado diretamente o ciclo natural de desova das tartarugas-da-Amazônia, um dos espetáculos mais simbólicos da biodiversidade regional. Tradicionalmente, entre outubro e dezembro, as praias do Guaporé se transformam em verdadeiros berçários naturais, marcando o início do Projeto Quelônios do Guaporé, que protege e monitora a espécie.
Neste ano, porém, as chuvas acima da média mantiveram o rio em nível elevado, reduzindo as áreas de areia disponíveis para a desova.
“Este ano, as condições estão muito adversas. O rio não baixou o suficiente, e isso reduziu drasticamente as faixas de areia onde elas costumam desovar.”, aclarou o biólogo da Energisa Rondônia, José Carratte.
Segundo ele, o atraso no processo pode comprometer todo o ciclo reprodutivo:
“Quando as tartarugas não conseguem desovar no período certo, todo o ciclo é comprometido. A fêmea pode reter os ovos por mais tempo, o que afeta sua saúde e reduz a taxa de reprodução.”.
A Energisa Rondônia tem acompanhado de perto o trabalho do projeto, apoiando ações de conservação e instalando placas solares na base do Instituto Ecovale, garantindo autonomia e eficiência energética às equipes que atuam no campo.
“A energia solar trouxe autonomia e eficiência para quem está na linha de frente da conservação desse projeto tão importante.”, destaca Carratte.
Para José Soares, o “Zeca Lula”, presidente da Ecovale, o desafio é grande, mas a esperança permanece:
“As tartarugas são símbolos de resistência. Mesmo diante das cheias, elas insistem em tentar. O que nos move é garantir que, quando o rio permitir, o ambiente esteja pronto para recebê-las novamente.”.
O Projeto Quelônios do Guaporé, realizado pelo Instituto Ecovale com apoio da Energisa, segue firme na missão de proteger as tartarugas-da-Amazônia, promovendo educação ambiental e valorização da biodiversidade como caminhos para a conservação da vida nas margens do Guaporé.



