Agrishow reúne milhares em Ribeirão Preto e reforça papel estratégico da tecnologia para o agronegócio

Maior feira agrícola do país abre com 900 marcas, área gigantesca e expectativas em meio a incertezas econômicas A Agrishow, considerada a maior feira de tecnologia agrícola do Brasil e uma das maiores do mundo, começa nesta segunda-feira (27) em Ribeirão Preto (SP), movimentando visitantes de todo o país e de mais de 50 nações. [ ]
Maior feira agrícola do país abre com 900 marcas, área gigantesca e expectativas em meio a incertezas econômicas
A Agrishow, considerada a maior feira de tecnologia agrícola do Brasil e uma das maiores do mundo, começa nesta segunda-feira (27) em Ribeirão Preto (SP), movimentando visitantes de todo o país e de mais de 50 nações. A edição de 2026 ocupa mais de 520 mil m², área equivalente a 50 campos de futebol, e deve receber cerca de 200 mil pessoas até o dia 1º de maio.
Com mais de 900 marcas expositoras, o evento se destaca por sua grande concentração de máquinas agrícolas de grande porte, sistemas de alta precisão e inovações em automação, conectividade e energia limpa. O volume de equipamentos é tão extenso que a feira conta com sistema próprio de geolocalização para orientar o público.
Inovações que definem o futuro do campo
Entre os destaques desta edição estão:
- tratores com piloto automático e cabines mais confortáveis;
- soluções para agricultura de precisão com monitoramento em tempo real;
- máquinas movidas a biocombustíveis, como etanol;
- robôs autônomos desenvolvidos para atuar diretamente nas lavouras.
Segundo a organização, a feira reforça a transição para a agricultura 5.0, combinando eficiência operacional, sustentabilidade e maior uso de biotecnologia e conectividade para redução de custos e desperdícios.
Feirão tecnológico em ano de cautela
Apesar do potencial de movimentar bilhões em negócios — no ano anterior, foram R$ 14,6 bilhões, a edição de 2026 acontece em um cenário marcado por incertezas econômicas:
- dificuldade de acesso ao crédito devido aos juros altos;
- aumento da inadimplência no agro;
- impactos da guerra no Oriente Médio e das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã;
- elevação nos custos de insumos importados, como diesel e fertilizantes.
Representantes do setor bancário já indicam restrições maiores para financiamentos, enquanto entidades do setor agrícola estimam uma possível queda de 10% nas vendas de máquinas neste ano.
Agrishow como termômetro do mercado
Mesmo em um ambiente de cautela, expositores destacam que a feira funciona como um indicador importante do comportamento dos produtores rurais. A percepção geral é de que, embora o patrimônio do produtor esteja sólido, resultado de anos de boa rentabilidade, a liquidez no curto prazo é limitada, o que reduz o apetite para novos investimentos de grande porte.
Ainda assim, lideranças do agro defendem que o momento exige estratégia, não retração. Há expectativa positiva relacionada às safras de soja e milho, que podem impulsionar as decisões de compra ao longo do ano.
Mais que negócios: um grande ponto de encontro do setor
Com pavilhões extensos que poderiam ocupar horas de visitação, a feira reúne agricultores, empresários, pesquisadores e profissionais da cadeia produtiva, consolidando-se como um dos principais ambientes de troca de conhecimento e projeção de tendências do agronegócio brasileiro.
A Agrishow segue até sexta-feira (1º), funcionando como uma vitrine para novas tecnologias, espaço de articulação política e palco decisivo para as movimentações do mercado agrícola em um ano desafiador para o setor.



